| I Hate It Here | ![]() |
||
[::Coluna diária escrita, cuspida e escarrada por Spider Jerusalem::] archives
"Piranhas e Solidão" Ridículo sentar nessa merda de computador lento desse prédio que fede desinfetante. Toda essa limpeza que esconde o sarcasmo e a inutilidade dos profissionais que hoje aqui estão se passando por mestres. A menina grotesca aqui do meu lado aproveita a chance para usar a internet já que seus pais a proibem de passar as madrugadas nos chats. Tão feia, lendo e-mails estúpidos que posso ver daqui - essa mania bizarra que essas bregas malucas têm de colocar fonte 18 - ela ri disfarçadamente sozinha, como se realmente fosse interessante a porra da piada-spam que recebeu. Foda-se. Num dormi como sempre, estou possuído por náuseas e sinto que a qualquer momento poderia vomitar se tivesse algo no meu estômago. Mas invez disso vou descer até o bar, já vejo o café puro matinal que irei ingerir feliz, pois ele me salvará do sono que me toma. Não importa que a porra da dor vai me corromper, meus remédios estão comigo e me darão alívio - lutarão contra a cafeína afim de me nocautear em sono profundo. As putas moderninhas desse prédio me olham com desprezo, observam sem disfarce minhas tattoos. Antes ainda eu lhes causava medo, hoje portanto o retardado nem isso mais consegue, todas as piranhas me olham como se eu fosse um nerd ridiculo e sem amigos, isolado por todos. Mas não sabem, não sabem de nada. Eis que um dia mostrarei o que o babaca aqui pode fazer com uma vagabunda dessas, então ela saberá que num deve julgar as pessoas por suas olheiras. Não tenho o sono de princesa que as vacas têm em suas camas macias, invez disso reluto contra a noite em frente à um computador que é a única maneira de fazer o tempo da madrugada passar. Ontem o whisky acabou, saí no meio da escuridão andando rumo ao primeiro boteco que encontrasse, estava sem dinheiro e paguei com cheque sem fundo um nacional da porra que lateja agora na minha cabeça. Preciso voltar ao trabalho. Ganho o meu dinheiro com esses livros escrotos que o gordo nojento do editor me exige. Já cansei de seus palpites idiotas, não sei porque não senta na merda desse computador e escreve ele mesmo com o texto raso que ele implora para que eu faça. Recusaria fazer parte dessa bosta se num precisasse sustentar minhas necessidades. Penso todo momento se fiz certo em sair da montanha, essa urabanização me consome mais do que a solidão. posted by Spider Jerusalem 9:15 AM
"Aqui na Cidade Bunda, num dá pé quando se afunda." posted by Spider Jerusalem 12:43 PM
"Vestígios da madrugada" Todo dia a mesma merda. Passo pela esquina fedorenta onde sempre desvio de um macarrão vomitado. O cheiro de mijo que exalo contém tanto álcool que frita meu cérebro. O amanhecer urbano revela toda podridão da madrugada longa e a merda suja que ela rendeu. Garrafas de bebidas baratas vazias e jogadas, macumbas destuídas com vestígios de velas, pessoas que se esqueceram que são pessoas caídas no sono profundo da embriaguez - pessoas que a merda das sociedade aprendeu a não enxergar e nem sequer se lembra que são pessoas. Tento escutar o que um bêbado sujo e cheirando a merda tenta falar pro seu amigo invísivel, mas ele se esqueceu que é um ser humano e na atual condição de animal adquiriu uma forma nova de comunicação própria (penso: será que todas essas porras de mendigos falam a mesma língua???). Pego o ônibus e uma garota fedendo a perfume barato senta na minha frente. O cabelo palha tingido de loiro e com a raiz escura gritando me deixa aflito, fios caem sobre mim. Do meu lado um gordo suado respira com dificuldade, contaminando com seu bafo matinal tudo ao seu redor. Posso até enxergá-lo saindo de casa atrasado degustando apressadamente um pedaço de pizza portuguesa de ante-ontem que encontrou na geladeira quase vazia. Tento dormir, afinal depois de uma noite em claro em frente ao computador qualquer tempo com os olhos fechados ajudam a passar o dia. As náuseas e a preocupação com os cabelos voando sobre mim não me deixam pregar o olho. Acabo entrando no primeiro boteco que vejo e tomando um café sem açucar e fumando meu cigarro. Me consome uma tontura a cada trago, cada trago sem dormir, cada trago sem comer nessa merda de manhã que começa a ser disfarçada por desperdício de água nas calçadas. Antes de chegar ao meu destino e me enfurnar numa sala, sinto pena e inveja dos velhos que agora passeam com seus cachorros cagões pelas ruas molhadas e que, ignorantes, não imaginam a quantidade de merda que aquele piso consagrou durante a madrugada. posted by Spider Jerusalem 12:41 PM
|
|||
|
|
|||
![]() |
|||